No Brasil, as práticas predominantes ligadas à farmácia eram intrínsecas as populações nativas. Os pajés possuíam conhecimento sobre a qualidade terapêutica de diversas raízes e folhas e as usavam em suas tribos até a colonização portuguesa. Com a chegada dos portugueses, as práticas dos nativos foram assimiladas por meio, principalmente, dos jesuítas que desejavam conhecer a cultura indígena. Os remédios da dos europeus apenas chegavam a terras brasileiras quando expedições portuguesas, francesas ou espanholas aportavam com suas esquadras, onde sempre havia um cirurgião barbeiro ou algum tripulante com uma botica portátil cheia de drogas e medicamentos. Com a vinda de Thomé de Souza, chegou ao Brasil funcionários civis e militares, tropa de linha e diversos oficiais, dentre eles Diogo de Castro, primeiro boticário do Brasil, formado pela Universidade de Coimbra.
Os jesuítas instituíram enfermarias e boticas em seus colégios, colocando um irmão para cuidar dos doentes e outro para preparar remédios. Pouco a pouco, as boticas jesuítas passaram a atender o povo.
Muitos dos boticários que exerciam a farmácia nessa época, baseavam seu conhecimento no empirismo, as vezes, eram até analfabetos. A “carta de aprovação” poderia ser adquirida com muita facilidade, por isso o impacto sanitário da venda de medicamento nas boticas era um tanto comprometido. As boticas foram autorizadas, como comércio, apenas no ano de 1640 e após essa medida, elas foram multiplicando-se sendo dirigidas por boticários aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou por seu delegado comissário na capital do Brasil, Salvador. Em 1744, o chamado “Regimento 1744”, que proibia o comércio e distribuição de drogas e medicamentos por estabelecimentos não autorizados e apreensão de estoques em caso de descumprimento; criava a figura do profissional responsável. Com essa medida, criava-se a partir critérios mínimos para os estabelecimentos e para a fiscalização sobre o estado de conservação das drogas e plantas medicinais.

A chegada da família real, em 1808, proporcionou que os movimentos científicos ocorridos na Europa chegassem até o Brasil de forma mais acentuada. Neste mesmo ano, D.João VI implementou os estudos médicos no Hospital Militar da Bahia com ensino de anatomia, cirurgia e dos princípios elementares da matéria médica e farmacêutica. Ou seja, o ensino da farmácia era tido como um apêndice do ensino médico. O ensino da farmácia se iniciou no Brasil, formalmente, com a Lei 3 de outubro de 1832 que criou os cursos de farmácia vinculados às escolas de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia e designou a transformação das academias em escolas ou faculdades médico-cirúrgicas, em que seriam diplomados médicos, com a formação de seis anos, e os farmacêuticos com a formação de três anos. Em 1837 foram diplomados os primeiros seis farmacêuticos brasileiros pelo curso de Farmácia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Dois deles, Manoel José Cabral e Calixto José de Arieira, fundaram em 1839 o primeiro estabelecimento independente de ensino de farmácia: Escola de Farmácia de Ouro Preto.
As boticas, na segunda metade do século XIX, eram estabelecimentos restritos a poucos, que desempenhavam um papel importante de atenção individual a saúde, na medida em que respondiam questionamentos dos clientes e preparava os remédios de formas individualizada, desenvolvendo um forte vinculo com a comunidade. Com a chegada o século XX as exigências de saúde mudaram de configuração, visto que o pais estava passando por um período de transição saindo de um modelo agrário para um modelo industrial e urbano. Altera-se a relação da divisão do trabalho e, como refl exo, a saúde individual passa a ter importância para o Estado. Os medicamentos industrializados foram assumindo gradualmente um papel cultural de destaque, a “medicalização” da saúde tornou-se um processo em franca ascensão e, automaticamente, a Farmácia perdeu seu lugar de destaque. A industrialização do medicamento, ocorrida a partir de 1920 e potencializada após a Segunda Guerra Mundial foi, portanto, responsável pela drástica mudança na Farmácia.

Na Bahia o ensino da farmácia foi proveniente do ensino as matéria Química Farmacêutica e Farmácia, no inicio do século XVIII, no Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia. A farmácia permaneceu como matéria, curso e escola anexa até 1949, quando ganhou vida própria, constituindo-se como Faculdade de Farmácia da Universidade da Bahia. Em 1946 a Universidade da Bahia foi criada. Um dos eleitos para compor o Conselho Universitário, foi o Diretor da Escola Anexa de Farmácia, Dr. José Carlos Ferreira Gomes, árduo defensor da autonomia e independência do Ensino Farmacêutico. Foi a partir do empenho do professor Ferreira Gomes junto a representantes da bancada da Bahia no Congresso Nacional que, em 1949, foi aprovada e publicada a Lei nº 1.021/49 que constituiu a Faculdade de Farmácia como unidade de ensino autônoma da Universidade da Bahia.
Referências:
DEL CORRA, Florentina Santos Diez; DE SOUZA , Mirabeau Levi Alves; NEGRÃO , Odulia Leboreiro. DO BOTICÁRIO AO FARMACÊUTICO: O ENSINO DE FARMÁCIA NA BAHIA, DE
1815 A 1949. Salvador: EDUFBA, 2009. 190 p. disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ufba/162. Acesso em: 22 nov. 2019.
HADDAD , Ana Estela et al. A TRAJETÓRIA DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO NA SAÚDE. Brasília, 2006. 533 p. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/informação-da- publicação/- /asset_publisher/6JYIsGMAMkW1/document/id/489343. Acesso em: 22 nov. 2019
